'Tem que assistir ao g1': aluna do EJA tira 9 em geografia e comemora nota com o neto

  • 10/09/2026
(Foto: Reprodução)
🔈 “Kauã, a vó tirou 9 na prova de geografia. A gente tem que assistir o g1!” Aluna do EJA tira 9 em geografia e comemora nota com o neto Foi em um áudio no WhatsApp que Maria Edna Félix da Silva, de 54 anos, comemorou com o neto a nota que recebeu em uma prova da Educação de Jovens e Adultos (EJA), no início de setembro. (Veja a prova completa ao final da reportagem). 🤳🏻O momento em que Maria Edna recebe a avaliação viralizou nas redes sociais. Ao ver a nota, ela se levanta da carteira e pergunta se pode tirar uma foto da prova para mandar ao neto. “Tem que assistir o g1”, comenta com os colegas. Initial plugin text O neto é Kauã, de 15 anos, um dos maiores incentivadores da avó para que ela não abandone novamente os estudos. “Vó, você não vai parar, vó, eu te ajudo”, costuma dizer o adolescente, contou Maria Edna ao g1. 📍Maria Edna está no 2º ano do Ensino Médio do EJA na Escola Celestina Valente Lengenfelder, em Francisco Morato, na Grande São Paulo. Ela retomou os estudos no ano passado e espera concluir o Ensino Médio em 2027. Depois, quer prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tentar uma vaga na faculdade de Nutrição. Três horas de sono por noite Para chegar ao sonho da faculdade, Maria Edna enfrenta uma rotina puxada. Ela trabalha em uma empresa terceirizada na área de limpeza, em jornadas de 12 horas. Nos dias que seriam de folga, trabalha como diarista para complementar a renda. Juntos, os dois empregos rendem entre R$ 2,6 mil e R$ 3 mil por mês. Maria Edna é a principal responsável financeira pela casa, onde mora com o marido e o filho. Com problemas de saúde, o marido precisou parar de trabalhar. Ela acorda por volta das 3h e pega o transporte às 4h30. Depois de cumprir o expediente, segue direto para a escola. Só chega em casa perto da meia-noite. “Sabe quantas horas eu durmo por noite? Duas horas, três horas no máximo”. O cansaço às vezes vence dentro da sala de aula. Maria Edna conta que chega a cochilar durante as aulas. Quando isso acontece, os colegas a acordam e a incentivam a continuar. “Na escola também tem meus colegas: ‘Tia, não para não. Tia, não para não, continua’. Eu durmo dentro da aula, eles me acordam, o Afonso e o Luiz”. O sonho é mudar de profissão e cursar Nutrição. “Eu gosto de fazer pão, bolo, sonho, torta. Eu faço várias coisas, graças a Deus”. Maria Edna, quando realizou um curso de cuidadores de idosos Arquivo pessoal Parou de estudar mais de uma vez Nascida em Garanhuns, em Pernambuco, Maria Edna chegou a São Paulo ainda criança, por volta dos 7 anos. Mais velha de cinco irmãos, conta que precisou abandonar a escola cedo para ajudar a mãe, que criava os filhos sozinha. Ao longo da vida, tentou voltar aos estudos algumas vezes, mas precisou interrompê-los novamente por diferentes motivos. Casou-se, teve dois filhos e, mais tarde, deixou a escola outra vez para ajudar a filha, mãe solo, nos cuidados com os dois netos. No ano passado, retomou os estudos. Desta vez, está determinada a seguir até o fim. ‘Tem que assistir o g1’ Maria Edna não tem perfil nas redes sociais e diz não ter tempo para assistir as notícias na televisão. Para acompanhar o noticiário, usa principalmente o celular e acessa o aplicativo do g1. “Eu estudo, né? Então eu tenho que estar atualizada.” Geografia e História estão entre suas disciplinas favoritas. Na prova em que tirou 9, algumas das questões tratavam de temas que ela já havia acompanhado no noticiário, como refugiados, migrações e deslocamentos provocados por conflitos. Maria Edna contou que reconheceu os assuntos ao fazer a avaliação. ➡️A questão 3, por exemplo, tratava dos deslocamentos forçados provocados por guerras e conflitos armados, como os registrados na guerra no Irã, que já provocou o deslocamento de 3 milhões de pessoas. ➡️Já a questão 6 abordava as migrações forçadas por eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, e por desastres naturais — fenômenos relacionados aos chamados refugiados climáticos. 'Parabéns, hein, Google' E o perfil antenado da avó ainda rendeu um apelido com o neto: Google. Ao responder o áudio contando sobre a nota na prova, Kauã disse: "parabéns, hein, Google". Edna contou que os netos foram criados durante um período em sua casa e os dois mantêm uma relação próxima. Maria Edna costuma mandar mensagens para Kauã no horário em que sabe que ele está voltando da escola. Aí, quando ele vê a mensagem, ele retorna: ‘Cheguei, Google. Tá tudo bem'. Veja as fotos da prova enviadas para o neto: Maria Edna, estudante do EJA, tirou foto da prova de geografia para mostrar ao neto Kauã: 'tem que assistir o g1' Arquivo pessoal Maria Edna, estudante do EJA, tirou foto da prova de geografia para mostrar ao neto Kauã: 'tem que assistir o g1' Arquivo pessoal

FONTE: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/09/10/tem-que-assistir-o-g1-aluna-do-eja-tira-9-em-geografia-e-comemora-nota-com-o-neto.ghtml


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